terça-feira, 27 de março de 2012

CONSELHO PARTICIPATIVO: ESPAÇO PARA FORMAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA FAMÍLIA E ESCOLA


SILVEIRA, Nádia Teixeira
Mestranda em Educação - PPGE/UFMT


 MONTEIRO, Filomena Maria de Arruda 
Prof. Dra. - PPGE/UFMT

 Diante da vida moderna das famílias que vivenciam um ritmo alucinante em suas atividades diárias, entre pares, ou mesmo professores e alunos, percebe-se a necessidade de espaços que promovam e possibilitem o desvelar e crescimento nas relações formativas sociais, no qual, se encontram as dimensões familiar, escolar e social de forma mais ampla (igreja, local de trabalho, etc.) para que possam ser estabelecidos diálogos, discussões e um repensar de posturas, conduzindo a uma educação, que envolva a aprendizagem via formação continuada, e que consequentemente possibilite uma interação significativa e formativa entre os sujeitos.
Compreendendo que somente na interação destas dimensões é possível auxiliar verdadeiramente e significativamente o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem do aluno e professor, entende-se que a escola pode promover esta interação, e que a mesma pode utilizar-se de variadas estratégias para criar estes espaços e finalmente atingir o seu objetivo maior, o bem estar social e acadêmico do aluno, bem como daquele que auxilia no processo formativo do aluno, o professor. Assim, este artigo objetiva expor a riqueza que envolve o Conselho Participativo, que é um espaço, para o diálogo e formação entre as dimensões familiar e escolar, sendo o mesmo oportunizado de forma social, mediante o envolvimento de todos que compõe o processo ensino-aprendizagem vinculado a formação cotidiana.
Palavras-chave: Conselho Participativo, Interação Social, Família e Escola, Formação Continuada

Para início de conversa

Acreditamos que cada conceito de educação elaborado individualmente, está intimamente ligado ao que eu vivencio e experiencio, ou seja, a educação informal recebida dos pais, responsáveis, a educação formal recebida na escola, as amizades, as frustrações, minhas vitórias, os relacionamentos familiares, o social, as crenças espirituais, etc., influenciam e definem o meu ser, quem eu sou.

Por isso, abordamos nosso conceito, sobre o que é educação neste início de conversa, por acreditar que a educação está mergulhada na vida e é a própria vida, sendo oriunda de educadores (formais ou não) que perpassam nossa trajetória, nossa existência, como também das experiências que me são oportunizadas, ou que as oportunizo, dos meus grupos relacionais, do meu pensar e refletir, assim, posso compor meu raciocínio de que este ser educador relaciona-se com a capacidade de apostar, evidenciar a diferença, problematizar, refletir, questionar, voltar a refletir, reconstruir, ensinar e aprender na profissão, na vida. O qual estabelece relações da vida com o projeto de vida que permeia e envolve a escola, pois não há dissociações, e sim complementos, não há ponto final, e sim reticências, não há gavetinhas e sim uma gaveta, na qual as emoções, sensações e aprendizagens, se misturam, se interligam e nos fazem ser o que somos.

Desta forma, percebemos o Conselho Participativo como instrumento essencial para trabalhar a diferença e ao mesmo tempo a democracia, aspectos estes abordados em nossa Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB Lei nº 9394/1996), que contempla a Gestão Democrática, salientada em seu artigo 12. inciso VI, no qual estabelece uma nova perspectiva de Planejamento Participativo, com vistas a autonomia das escolas para estabelecer as suas regras democráticas bem como a participação da Comunidade Escolar. Considerando este parâmetro, cremos ser essencial aos Gestores Escolares, que também ocupam o lugar de educadores junto aos seus professores, organizarem a dinâmica da ação educativa, pois são responsáveis em mobilizar o repensar do processo ensino-aprendizagem dos educandos, propiciando ainda, este repensar aos educadores que atuam neste processo, estimulando o envolvimento e comprometimento dos pais, alunos e dos profissionais envolvidos para que todos possam participar da tomada de decisões coletivamente e contribuir para uma melhor qualidade do ensino, na qual, todos terão sua parcela de contribuição e de crescimento intelectual.

Assim, o Conselho Participativo vem estabelecer uma nova perspectiva para o Conselho de Classe, ampliando possibilidades, proporcionando reflexões sobre conteúdos ministrados, avaliação sobre o trabalho docente, desenvolvimento dos alunos via auto avaliação por turma, desenvoltura do professor considerando estratégias e metodologias adotadas, como também a estrutura física e administrativa da escola, ou seja, a escola como um todo.

O Conselho Participativo também se apresenta como espaço para relatos narrativos, pois envolve o discurso falado e escrito, as discussões, o refletir individual e em grupo, a tomada de decisão conjunta, e a mudança de postura, o que implica aprendizagem significativa.

Santos (2011, p. 2) coaduna com este princípio quando afirma,


O modelo de aprendizagem que embasa as necessidades de nosso tempo não é mais o modelo tradicional que acredita que o aluno deve receber informações prontas e ter, como única tarefa, repeti-las na íntegra. A promoção da aprendizagem significativa se fundamenta num modelo dinâmico, no qual o aluno é levado em conta, com todos os seus saberes e interconexões mentais. A verdadeira aprendizagem se dá quando o aluno (re)constrói o conhecimento e forma conceitos sólidos sobre o mundo, o que vai possibilitá-lo agir e reagir diante da realidade. Cremos, com convicção e com o respaldo do mundo que nos cerca, que não há mais espaço para a repetição automática, para a falta de contextualização e para a aprendizagem que não seja significativa.

             Considerando este significado, as narrativas vem se estruturando nas ciências sociais por proporcionar as interações com o “eu” e com o outro, que produz história, significado para aqueles que dela se apropriam.


“[...] as narrativas se tornaram um método de pesquisa muito difundido nas ciências sociais” (Id Ibid); empregada não apenas como “método de investigação”; mas, “[...] como uma forma discursiva, narrativas como história, e narrativas como histórias de vida e histórias societais, foram abordadas por teóricos culturais e literários, lingüistas, filósofos da história, psicólogos e antropólogos” (JOVCHELOVITCH E BAUER, 2002, p.90).


            Passeggi (2010 In: FORTES E MARIANI, 2010),


contribui com essas reflexões quando esboça respostas – segundo seu entendimento – à pergunta: “o que faz a pesquisa (auto)biográfica?”. A autora tece argumentos e os sintetiza na afirmação de que “[...] a pesquisa (auto)biográfica tem por ambição compreender como os indivíduos [...] atribuem sentido ao curso da vida, no percurso de sua formação humana, no decurso da história.” (PASSEGGI, 2010, p.112).

             Compreendemos que esta ambição é possível de ser trabalhada não apenas com a formação de professores, mas, com a formação de todos aqueles que compõe a dimensão escolar. O aluno, familiares, assim como o próprio professor, no processo de avaliação e reflexão que envolve o Conselho Participativo, fazem-se sujeitos do processo, os quais interagem e tem poder de voz, possibilitando a construção da autonomia que se caracteriza pela construção individual e ao mesmo tempo grupal nas relações sociais, no qual o sujeito vai constituindo sua própria autonomia, não autorizada neste momento pelo outro, mas por si mesmo, pois como diz Paulo Freire (2009) “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém”, a mesma se constrói via interações e aprendizagens, mas vem do ser, do sujeito.

Passo a passo

            Quando se fala de Conselho de Classe percebemos uma repercussão, geralmente de cunho negativo, pois se considera em sua maioria, um momento no qual os professores se reúnem para pontuar aspectos negativos do aluno, que em geral, possui problemas em suas notas (abaixo da média), ou comportamento indesejado, etc.

            A citação abaixo, oriunda de um artigo (2006) com o título “Conselho de Classe Participativo: Uma experiência de Participação Democrática na Escola nos auxilia em nossa reflexão:

O conselho de classe realizado nas escolas, sempre foi motivo de inquietação, pois somente professores reuniam-se para discutir o processo educativo, como detentores do saber.

Dessa forma, havia bastante resistência e descrédito, até mesmo pelos próprios professores que o realizavam. Alguns chegavam a referir-se a este momento, como sendo um momento de catarse, em que se dividiam os problemas e, conseqüentemente, não se encontravam culpados, ou a vítima era sempre o aluno e a família, excluindo-se qualquer responsabilidade ao professor ou à escola.

                 Considerando esta realidade, e ao mesmo tempo inquietação, o Conselho Participativo parte do princípio do ensino reflexivo, tão bem abordado por Mizukami (1996, DAMASCENO E MONTEIRO, 2007 In: MONTEIRO, 2007),


A premissa básica do ensino reflexivo considera que as crenças, os valores, as suposições que os professores têm sobre ensino, matéria, conteúdo curricular, alunos, aprendizagem, etc. estão na base de sua prática de sala de aula. A reflexão oferece as eles a oportunidade de se tornarem conscientes de suas crenças e suposições subjacentes a essa prática. Possibilita, igualmente, o exame de validade de suas práticas na obtenção de metas estabelecidas. Pela reflexão eles aprendem a articular suas próprias compreensões e a reconhecê-las em seu desenvolvimento pessoal (p.61).


            Sendo que esta reflexão faz-se presente não apenas no processo formativo do professor, mas perpassa as vivências de qualquer sujeito, em minha prática, em consonância com a Instituição na qual desenvolvo pesquisas, estudos e projetos, como também alicerçada nos estudos e pesquisas oriundos do PPGE/ UFMT, coordenado pela Profª Doutora Filomena Monteiro, busquei nestas parcerias estabelecer uma ação diferenciada, mediante a proposta do Conselho Participativo, a qual, quando aplicada em sua íntegra, envolvendo uma avaliação de 360º possibilita uma formação social, democrática, profissional de todos que participam e se envolvem com o processo. A mesma recorre às falas e escritas dos que participam do processo, sendo a família, aluno, servidores e professores partes integrantes desse processo, que envolve maior significação para as ações. Para compreender os processos, a seguir expõem-se os passos do processo, entretanto, não são um fim em si mesmo, e sim instrumentos utilizados nesta experiência.

            As etapas do Conselho de Classe Participativo são distintas, e cada uma possui o seu valor, podendo seguir ou não a ordem na qual são elencadas aqui, sendo elas:

 I- Conselho Participativo

II- Avaliação da turma

III- Avaliação dos professores

IV- Conselho reflexivo

             As etapas, ou momentos, foram realizados com todos os alunos e professores de 5ª série ao 3º Ano do Ensino Médio. As etapas serão descritas para compreensão do processo.

 I- Conselho Participativo

Este momento aconteceu no meio do bimestre apenas com os alunos convocados pela orientação educacional da escola, o mesmo ocorreu considerando os seguintes passos:

1.      Após as primeiras avaliações, todos os alunos que não alcançaram a média em todas as disciplinas foram automaticamente convocados para o conselho (pode haver opção em convocar de uma a duas vezes no ano, alunos que tiveram suas notas acima da média, para também serem valorizados no momento do diálogo com o professor, a escola tem liberdade para fazer adaptações).  Nesta experiência convocou-se todos os alunos, acima ou abaixo da média escolar, que neste caso, equivale a 60% de aproveitamento mínimo (média).

2.      Alunos que mesmo alcançando a média, apresentaram problemas de comportamento inadequado (conforme regimento interno da escola) ou atos indisciplinares também são convocados caso sejam indicados pelos professores.

3.      No dia do conselho (há esta opção), os alunos que não foram convocados são dispensados das aulas, os mesmos recebem um comunicado de reconhecimento pelo empenho, e é organizado um horário especial em que cada turma tem entre meia hora a uma hora para conversar com os professores, varia de acordo com a quantidade de alunos por turma.

4.      Os alunos convocados se reúnem um pouco antes do horário para receberem instruções acerca do processo e conversar com a orientação
educacional sobre aspectos relacionados à turma.

5.      As carteiras dos professores são dispostas em círculo em outra sala, e os alunos passam por todos eles para que registrem em uma ficha especial (confeccionada pela escola) aspectos como os pontos distribuídos, a nota alcançada até o momento e aspectos relacionados à postura acadêmica, bem como registro de orientações e da conversa do professor e do aluno. Ainda neste momento, há uma abertura para que os responsáveis que desejam estar presentes possam acompanhar o aluno em seus diálogos com o professor, entretanto, o pai não poderá se manifestar, é um momento de escuta para o pai entre aluno e professor, e posteriormente ele, o responsável, poderá agendar um momento para conversar com o professor ou o orientador educacional, respeitando o momento do aluno com o professor e vice-versa.

6.      Após falarem com todos os professores, o aluno assina e entrega a segunda via da ficha e leva a primeira, cujo canhoto deverá retornar assinado pelos responsáveis, já que há alunos que não estiveram com seus responsáveis nesta etapa, e a assinatura é o que garante o acompanhamento do processo pela família.

 II- Avaliação da turma

Acontece no final do bimestre (também pode ocorrer antes do término do mesmo, conduzindo os alunos a uma reflexão, que auxilie na tomada de consciência, imbuída de ações que possam auxiliar na recuperação do aluno ainda no decurso do bimestre) com todos os alunos da turma, com o respectivo direcionamento:

1.      A orientação educacional escolhe um dia para conversar com cada turma, deixando claro que este momento reflete a turma e não o indivíduo, mas o todo, e que este todo pode beneficiar ou prejudicar o processo, pois todos tomam decisões e são responsáveis por elas, por isso contemplaremos naquele momento o grupo, a sala.

2.      Seguindo um roteiro de entrevista narrativa organizado de acordo com a realidade da unidade escolar, os alunos precisam dialogar no grupo e decidir em conjunto, com a turma a avaliação dos mesmos. O texto produzido, reflete a opinião do grupo, e não de apenas um indivíduo. Discussões, exposições, questionamentos são comuns para que os alunos cheguem num consenso. Este momento é muito rico, pois os alunos compreendem que são indivíduos com suas opiniões, que precisam respeitar a maioria, e que vivem a democracia no Conselho Participativo.

3.      Os aspectos apresentados pelos alunos são anotados na ficha avaliativa da turma por um dos alunos.

4.      Após avaliarem a turma, a orientação educacional solicita que apresentem soluções para os problemas apresentados. É um espaço reflexivo e crítico, de construção conjunta, que dá poder de reflexão e voz para os alunos, que atuarão nas decisões referentes às ações na dimensão escolar.

5.      A ficha com os relatórios é arquivada para análise posterior com os professores e mesmo com os alunos nos próximos Conselhos Participativos.

 III- Avaliação dos professores

Acontece no final do bimestre com todos os alunos, juntamente com a avaliação institucional (não apenas os professores são avaliados, mas toda a escola), obedecendo os seguintes passos:

1.      A administração prepara as fichas de avaliação que são entregues aos alunos para preencherem em grupo de três ou individualmente.

A maior significação deste momento, ao meu ver, consiste no grupo de três, pois é necessário ouvir o outro, defender minha ideia ou ceder, e isto fortalece a interação do grupo como enriquece o processo como um todo.

2.      As fichas são devolvidas e tabuladas pela orientação educacional, ou alguém designado pelo Gestor Escolar.

3.      O resultado é encaminhado ao setor de coordenação e direção para ser analisado juntamente com os professores e funcionários da escola – a avalição abrange todos que desempenham alguma função na escola.

4.      Os resultados tabulados são encaminhados aos respectivos professores e funcionários, os quais são analisados pelo grupo buscando empreender ações que serão necessárias para resolver os problemas que possam ter surgido. A equipe trabalha para planejar e executar ações que auxiliarão no desenvolvimento da escola.

 IV- Conselho Reflexivo

Acontece no final do bimestre com todos os professores juntamente com a coordenação pedagógica, orientação educacional e coordenador de disciplina/ monitores, com os seguintes itens:

1.      Relatório de notas e aproveitamento de cada turma.

2.      Relatório da avaliação da turma, realizada pela orientação educacional.

3.      Discussão sobre medidas que deverão ser tomadas para que as situações negativas da turma possam ser revertidas.

4.      Troca de experiências entre os professores.

5.      Apresentação de alunos que inspirem cuidados especiais cujas observações serão registradas em ficha apropriada para o acompanhamento do setor de orientação e disciplina e posterior comparação.

6.      Ações que serão empreendidas para com a turma ou alunos que inspiram cuidados.

Ganhos

Todas estas etapas possibilitam a Formação de alunos, professores e familiares mais reflexivos e críticos no que se refere à vida educacional na qual cada um se insere, sejam como aqueles que ministram aulas, mediam as aprendizagens, assistem o desenvolvimento dos filhos, aprendem e ensinam, não importa, todos aprendem de uma forma ou outra. Esta dinâmica que envolve o Conselho Participativo propicia ao professor o repensar de todo processo avaliativo, como um aspecto inerente do processo ensino-aprendizagem fundamental para a melhoria de seu trabalho.

Monteiro (2002 In: MONTEIRO, 2007, p. 98), afirma que os processos de aprendizagem dos adultos ocorrem em situações e tempos variados, envolvendo contextos diversos; parece ser por meio da aprendizagem autônoma que os adultos têm conseguido uma aprendizagem mais significativa.

Não apenas adultos, mas também para as crianças, os processos de aprendizagem ocorrem em situações e tempos variados. Cada ser humano é único. Por isso acredito no Conselho Participativo como meio de auxiliar nos processos formativos na dimensão escolar.

Percebeu-se claramente, que cada etapa permite avançar na relação social entre os envolvidos no processo, isto também auxilia na compreensão do papel que cada um desempenha, e no assumir de sua responsabilidade de aluno, responsável/ pai ou professor, e até mesmo dos gestores de uma forma geral. Sendo todo o processo extremamente formativo.

O Conselho Participativo é um momento muito rico e significativo para toda comunidade escolar, envolve toda a equipe que compõe a escola, propiciando oportunidade ímpar de um trabalho conjunto, para promover a integração das disciplinas, a troca de experiências, vivências, dúvidas e o tomar de decisões coletivas.


É na tomada de decisão que atribuímos significado a nossa prática – para que avaliar, o que avaliar, quais os critérios que serão definidos, quais as informações que serão trocadas, qual a ética que perpassará o conselho – e nos comprometemos. Quanto maior for a participação do professor neste processo, mais efetivas serão as transformações nas relações e procedimentos no interior da escola com a conseqüente melhoria do processo pedagógico (Conselho de Classe – Material interno do Departamento de Educação, 2009).


Somente com experiências, vivências pessoais, o professor e todo educador pode se nutrir de uma prática que atenda a necessidade do aluno, pois como diz Mizukami (2008) A experiência do professor é ponto essencial para sua trajetória, afinal, nenhum curso de formação dará conta da formação do professor desvinculada da experiência, não se forma por eventos.

O Conselho Participativo acaba por contribuir no conhecimento profissional do professor e na sua formação, pois envolve observação, escuta e estes pontos são essenciais no processo formativo como afirma Alarcão (2008, p.67) ao evidenciar que a fala em diálogo formativo, alicerçada na observação e na capacidade de escuta, se constitui pedra angular na construção do conhecimento profissional.

E o que é o Conselho Participativo? Momentos de observação, fala, escuta, escrita reflexão e tomada de decisão. Ou seja, é formação contínua.

Deparamos-nos com novos paradigmas, sendo preciso repensar papéis, numa perspectiva de um desenvolvimento profissional com base na formação também do coletivo (IMBÉRNON, 2009). Momentos que permitam aos sujeitos emitirem suas ideias, sua visão sobre a educação.

Desta forma, o Conselho Participativo se torna solo fecundo para a Formação de todos que dele se utilizam.

Para continuar

            Não é possível apenas neste espaço esgotar um tema tão rico e pertinente para nossa prática formativa cotidiana. É preciso, a partir da experiência aqui relatada com o Conselho Participativo explorar todas as possibilidades de interação, que envolvem a discussão e reflexão do aluno, do professor, o envolvimento dos familiares, o diálogo aberto do professor com o aluno e família, a atuação da coordenação, orientação, gestão, junto a todos que estão no processo.

            Sem dúvidas, este espaço é mais uma forma de ampliar os relacionamentos sociais na dimensão escolar, que favorece para com o melhor desenvolvimento do aluno, dando significação para todo processo formativo pelo qual todos na dimensão escolar passam.

            Outras pesquisas virão, para que mais se observe, analise e se escreva sobre esta possibilidade formativa, a mim, cabe apenas abrir espaço para estes novos momentos formativos.

Referências Bibliográficas

ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2008.

BAUER, Martin. e JOVCHELOVITCH, Sandra. Entrevista narrativa. (p. 90-113). In: BAUER, Martin & GASKELL, George. Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som. Ed. Vozes. Petrópolis. RJ. 2002.

Conselho de Classe – Material interno do Departamento de Educação da Rede Adventista para o Estado do Mato Grosso – Apostila – Cuiabá, 2009.

DEMO, Pedro. A Nova LDB: Ranços e Avanços. São Paulo: Papirus, 1997.

FORTES, Adriana Tomasoni.  MARIANI, Fábio. Professores-Formadores que atuam no Cefapro: Um Estudo sobre os percursos e as Identidades Profissionais. Cuiabá-MT: SemiEdu, 2010.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Coleção Leitura. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

IMBERNÓM, Francisco.  Formação continuada de professores. Porto Alegre: Artmed, 2010.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO. Disponível em: http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/2762/ldb_5ed.pdf?sequence=1

LORENZONI, Rosilãine de Lourenzo (org.). Conselho de Classe Participativo:   Uma   experiência de participação democrática na escola. 2006. Disponível em:    http://www.unifra.br/eventos/jornadaeducacao2006/2006/pdf/artigos/pedagogia/CONSELHO%20DE%20CLASSE%20PARTICIPATIVO.pdf

MIZUKAMI, Maria das Graças N. Formação continuada e complexidade da docência: o lugar da universidade. In: Trajetórias e processos de ensinar e aprender: didática e formação de professores – XIV ENDIPE. 2008.

MONTEIRO, Filomena Maria de Arruda (org.). O trabalho docente na educação básica: contribuições formativas e investigativas em diferentes contextos. Cuiabá: EdUFMT, 2007.

SANTOS, Júlio César Furtado dos. Aprendizagem significativa: modalidades da aprendizagem e o papel do professor. Porto Alegre: Mediação, 2008.

_________. O desafio de promover a aprendizagem significativa. Disponível em: http://www.juliofurtado.com.br/textodesafio.pdf -  acesso em 08/09/2011 - 12h55.

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